quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Camilo Aggio

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Coletiva com Camilo Aggio


   O especialista em campanhas políticas on- line, Camilo Aggio concedeu na última semana uma entrevista coletiva a um grupo de estudantes do curso de Comunicação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Os alunos perguntaram sobre estratégias de campanha e utilização de redes sociais. Apesar dos questionamentos dos estudantes o publicitário se recusou a responder para quem trabalhou na campanha e em quem votou para presidente.

*Trabalho executado pelos estudantes do grupo da Revista Época

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Exemplo de Carta do Leitor

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Senhores Diretores e Editores,
Constituiu-se motivo de muita
alegria para mim a circulação no final da tarde de segunda-feira, dia 10 de abril de 2006, do jornal "Correio da Tarde", que na certa vem assinar uma importante página no jornalismo escrito do Estado do Rio Grande do Norte. Excelentes reportagens, colunas as mais variadas e um conteúdo dos mais completos, fazem do jornal Correio da Tarde uma leitura obrigatória da maioria dos potiguares, a cada final de tarde. Parabéns e muitos anos de circulação é o que desejo aos que fazem o CORREIO DA TARDE.

José Maria Alves

CARTA DO LEITOR

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Através dessa carta o leitor tem a oportunidade de participar da formação da opinião pública, sempre que discordar de alguma informação, ou quiser, por exemplo, dar uma sugestão.
É fato que os jornais e as revistas noticiam muitos acontecimentos e da mesma forma que em algumas situações o leitor concorda com o que foi dito, em outras discorda. Assim, ele tem espaço para suas manifestações.
Diariamente os jornais e revistas veiculam cartas de leitores.

(Brasil escola – redação)

Exemplo de Manchete

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Paulo Marcelo Venceslau - Praia Grande(SP) - 22/09/2009

Seis homens fogem de presídio

Rejane Tamoto

Seis detentos fugiram anteontem de manhã da Cadeia Pública São Caetano do Sul (ABC), localizada ao lado da delegacia central da cidade. Dois dos presos foram recapturados pela GCM (Guarda Civil Municipal) e quatro estão foragidos.

Segundo o supervisor da GCM, Mauro Celso Montanini, os seis homens tentaram fugir por volta do meio-dia. Eles teriam utilizado um alicate para cortar a tela de proteção do teto do pátio da cadeia e fizeram uma corda com lençóis, de cerca de 5 metros, para subir pelo teto e escapar.

Naquela hora, dois guardas-civis faziam patrulhamento na área da cadeia e viram três homens pulando o muro da cadeia, em direção a avenida Goiás. Os guardas só conseguiram pegar um deles. O segundo preso foi detido depois, ao tentar invadir uma casa localizada a duas quadras de distância da cadeia.

Dos quatro homens que escaparam dos guardas, um foi visto entrando em um carro Siena e os outros três fugiram a pé. A Polícia Militar fez rondas no local para tentar localizar o grupo, mas não os encontrou.

MANCHETE

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 É o título principal que indica a notícia mais importante do jornal. Existe a manchete principal do jornal (na primeira página) assim como a manchete de cada caderno, seção ou página. Onde encontrar: a manchete é sempre aquela que vier graficamente com maior destaque, ou que tiver letras mais carregadas na tinta.

Exemplo de chamada

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CHAMADA

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Pequeno texto usado na primeira página para chamar a atenção do leitor para determinado material.

Exemplo de Foto-legenda

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FOTO- LEGENDA

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A fotografia jornalística fixa um acontecimento e as suas impressões. O fotógrafo é o relator, o documentador visual entre a notícia e o público. A imagem nesse caso é o certificado de presença é a prova ao leitor que o jornal estava presente na notícia. Já a Foto-legenda é uma pequena matéria, de no máximo 20 linhas, usada para explicar ou destacar foto.

Exemplo de Box

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BOX

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Um box é um espaço graficamente delimitado que normalmente inclui um texto explicativo ou sobre assunto relacionado à matéria principal. Recurso editorial que se reveste de forma gráfica própria. Um texto que aparece na página entre fios, sempre em associação íntima com outro texto, mais longo. Pode ser uma biografia, um diálogo, uma nota da redação, um comentário, um aspecto pitoresco da notícia.

CRÔNICA

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Motivação

Por Gabriela Ribeiro

Uma menina, de seus 17 anos, estava exatamente naquela fase em que tudo se torna mais complexo do que deveria ser. Ela se sentia diferente dos outros, e se perdia em meio a sentimentos de medo e angustia que não conseguia explicar, estava sempre se escondendo do mundo, das pessoas e principalmente da vida. Nem ela entendia o próprio comportamento, só sabia que precisava se libertar, mas não imaginava qual seria o caminho para tal efeito.
Certo dia no colégio, ela ouviu conversas paralelas ao seu respeito:
- Aquela menina nunca vai pra lugar nenhum.
- É, parece que ela tem medo de gente.
- Ela também é meio esquisita, quase não fala.
- Esquisita? Ela é bizarra.
Em prantos a garota saiu da sala de aula e foi correndo sem destino, o que espantou todos os seus colegas de classe, uma vez que ela não deu explicações. Mais tarde ao chegar em casa, ela refletiu a respeito do que tinha ouvido dos colegas, o que era esperado, já que ela se mantinha presa no seu próprio mundo e não dava fresta para a aproximação das pessoas.
Durante a noite, como em todas as outras, ela sonhou com uma vida mais feliz, com experiências que ela nunca tinha atravessado, porém essa noite, seu sonho foi mais intenso, e uma doce voz lhe disse:
- Você não está sozinha. O mundo só será melhor, se você for melhor.
Motivada, e se sentindo completamente diferente, a garota decidiu que o seu mundo mudaria e que ela teria forças pra enfrentar todos os seus medos e agonias. De repente ela começou a ter uma energia especial, uma força que ela não sabia explicar, e seu comportamento se modificou de maneira singela.
Agora as conversas em sala de aula eram outras.
- O que será que aconteceu com ela?
- Deve ter arrumado um namorado, é a única explicação!
- Será?
- Acho que sim.
Ao ouvir esses comentários a menina respondeu de lá:
- Demorei muito tempo pra perceber, mas agora vejo que a paz e a sensação de bem estar abita dentro de nós, é algo que vêm de dentro e se exterioriza. Por muito tempo eu quis fugir da vida, por não encontrar nela motivação, mas agora eu entendi que a vida vai além de tudo aquilo que eu já sonhei, agora eu tento me lançar em meio aos meus sonhos e devaneios ao em vez de me perder em agonias, afinal a vida é uma só!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Exemplo de crônica

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Bom mesmo

Tem uma crônica do Paulo Mendes Campos em que ele conta de um amigo que sofria de pressão alta e era obrigado a fazer uma dieta rigorosa. Certa vez, no meio de uma conversa animada de um grupo, durante a qual mantivera um silêncio triste, ele suspirou fundo e declarou:
- Vocês ficam ai dizendo que bom mesmo é mulher. Bom mesmo é sal!
O que realmente diferencia os estágios da experiência humana nesta Terra é o que o homem, a cada idade, considera bom mesmo. Não apenas bom. Melhor do que tudo. Bom MESMO.
Um recém-nascido, se pudesse participar articuladamente de uma conversa com homens de outras idades, ouviria pacientemente a opinião de cada um sobre as melhores coisas do mundo e no fim decretaria:
- Conversa. Bom mesmo é mãe.
Depois de uma certa idade, a escolha do melhor de tudo passa a ser mais difícil. A infância é um viveiro de prazeres. Como comparar, por exemplo, o orgulho de um pião bem lançado, o volume voluptuoso de uma bola de gude daquelas boas entre os dedos, o cheiro da terra úmida e o cheiro de caderno novo?
- Bom mesmo é o cheiro de Vick VapoRub.
Mas acho que, tirando-se uma média das opiniões de pré-adolescentes normais brasileiros, se chegaria fatalmente à conclusão de que nesta fase bom mesmo, melhor do que tudo, melhor até do que fazer xixi na piscina, é passe de calcanhar que dá certo.
Mais tarde a gente se sente na obrigação de pensar que bom mesmo é mulher (ou prima, que é parecido com mulher), mas no fundo ainda acha que bom mesmo é acordar na segunda-feira com febre e não precisar ir à aula.
Depois, sim, vem a fase em que não tem conversa. Bom mesmo é sexo!
Esta fase dura geralmente até o fim da vida, mesmo quando o sexo precisa disputar a preferência com outras coisas boas (“Pra mim é sexo em primeiro e romance policial em segundo, mas longe”). Quando alguém diz que bom mesmo é outra coisa, está sendo exemplarmente honesto ou desconcertantemente original.
- Bom mesmo é figada com queijo.
- Melhor do que sexo?
- Bom...Cada coisa na sua hora.
Com a chamada idade madura, embora persista o consenso de que nada se iguala ao prazer, mesmo teórico, do sexo, as necessidades do conforto e os pequenos prazeres da vida prática vão se impondo.
- Meu filho, eu sei que você aí, tão cheio de vida e de entusiasmo, não vai compreender isto. Mas tome nota do que eu digo porque um dia você concordará comigo: bom mesmo é escada rolante.
E esta é a trajetória do homem e seu gosto inconstante sobre a Terra, do colo da mãe, que parece que nada, jamais, substituirá, à descoberta final de que uma boa poltrona reclinável, se não é igual, é parecido. E que bom, mas bom MESMO, é nunca mais ser obrigado a ir a lugar nenhum, mesmo sem febre.

Luiz Fernando Veríssimo

CRÔNICA

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A crônica é a modalidade escrita que, pela própria origem da palavra, do grego Krónos, acompanha a sucessão dos fatos no tempo e se conforma às exigências do conteúdo e da função a que se presta em uma dada situação, é o comentário noticioso de fatos, que vive do quotidiano. Pode ser uma espécie de narração de acontecimentos, uma apreciação de situações ou, na definição tradicional, assumir-se como relato histórico.
A crônica dos jornais impressos, mesmo apresentando uma visão recortada da realidade presente, é um documento de valor histórico para a sociedade. Assim é que as crônicas jornalísticas configuram-se como um lugar de memória diretamente relacionada com o meio social onde o indivíduo se encontra.

Exemplo de editorial

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Folha de São Paulo / Índice geral

São Paulo, terça-feira, 5 de agosto de 2008

Todos grampeados

COMO QUE A dar materialidade aos temores relativos ao sigilo telefônico que esta página enunciava na semana passada, reportagem publicada pela Folha no domingo mostrou que a Polícia Federal teve acesso irrestrito ao cadastro de todas as ligações feitas no país. É até compreensível que policiais estejam ávidos para pôr as mãos nesse manancial de informações. Mas é inadmissível que a Justiça os autorize a ter acesso ao histórico de telefonemas de qualquer assinante do país. Nos termos da lei que regulamenta o sigilo telefônico, este só pode ser violado mediante ordem judicial, cuja concessão exige "indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal" e a demonstração de que essa é única forma de produzir provas. Magistrados federais que têm autorizado a PF a consultar o sistema se amparam numa lacuna da legislação. A lei nada fala sobre o acesso global ao cadastro de assinantes, simplesmente porque essa tecnologia não existia em 1996, quando a norma entrou em vigor. É evidente, entretanto, que a prática fere gravemente o espírito da lei, que apenas admite levantar o sigilo constitucional sobre dados e comunicações telefônicas em último caso. Deve-se aproveitar o súbito interesse do governo Lula em aprovar um novo projeto de lei de escuta telefônica para nele incluir um mecanismo que vede explicitamente esse acesso indiscriminado ao sistema. A difícil busca pelo equilíbrio entre o direito da sociedade de proteger-se contra bandidos e o direito de cada cidadão à intimidade e à vida privada não pode prescindir de instrumentos que limitem o poder do Estado de agir contra os cidadãos. Cabe à Justiça decidir caso a caso quando a medida de exceção se justifica. É essa filtragem que, na ânsia de combater o crime e a corrupção, muitos magistrados estão deixando de fazer.

EDITORIAL

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Os editoriais são textos de um jornal em que o conteúdo expressa a opinião da empresa, da direção ou da equipe de redação, sem a obrigação de se ater a nenhuma imparcialidade ou objetividade. Geralmente, grandes jornais reservam um espaço predeterminado para os editoriais em duas ou mais colunas logo nas primeiras páginas internas. Os boxes (quadros) dos editoriais são normalmente demarcados com uma borda ou tipologia diferente para marcar claramente que aquele texto é opinativo, e não informativo. Editoriais maiores e mais analíticos são chamados de artigos de fundo.


Professora: Donizzete

Exemplo de Charge

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CHARGE

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A charge jornalística se caracteriza por ser um texto visual humorístico e opinativo, que critica um personagem ou fato político específico. Fundamenta-se em um quadro teórico atual, envolvendo princípios da Análise do Discurso da Lingüística Textual. Sua construção baseia-se na remissão a um universo textual geralmente dado pelo próprio jornal. As charges jornalísticas mantêm relações intertextuais com textos verbais, visuais e verbais e visuais conjuntamente.

REPORTAGEM

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Famílias Brasileiras

O que o Brasil oferece de tão bom que possa atrair imigrantes de países tão distantes, como vivem os brasileiros descendentes de estrangeiros e como explicar o atual crescimento de estrangeiros do extremo oriente em Vitória da Conquista.

Por Gabriela Ribeiro e Manoela Sande

Poderia ser uma rua em alguma cidade japonesa, mas trata-se do Bairro da Liberdade, em São Paulo, considerado a maior colônia nipônica do mundo fora do Japão.
O bairro Liberdade é o coração oriental da cidade. As ruas estreitas e movimentadas e os letreiros das casas comerciais escritos em kanji (ideogramas) dão um clima de Tóquio ao local.
Essa sensação de se estar no Japão é reforçada pela decoração das ruas com lanternas típicas (suzuranto), por um jardim oriental, pelo portal (torit) e por dezenas de restaurantes especializados em culinária japonesa.
A Liberdade é o principal palco dos festivais japoneses realizados no Brasil - Anualmente são promovidos no bairro o Dizo Matsuri ( Festival das Estrelas) e
o Toyo Matsuri, festividade de encerramento do ano. 
Os primeiros japoneses começaram a chegar ao Bairro da Liberdade em 1912, impulsionados a sair do seu país por grandes problemas políticos e econômicos devido ao desenvolvimento do capitalismo nos principais países do mundo.
Nessa época, o Brasil, presidido pelo Marechal Hermes da Fonseca, exportava para o mundo a propaganda de um país acolhedor e promissor, onde tudo era mais fácil e agradável e havia empregos para todos nas construções de estradas e ferrovias e nas plantações de café, açúcar e uva.
As Grandes Guerras Mundiais, o declínio econômico dos países envolvidos e a corrida pelo destaque no mercado internacional capitalista também foram alguns dos principais estopins para que orientais e europeus buscassem o paraíso tropical das Américas: o Brasil.


Bairro da Liberdade -SP

São diversos os motivos que trazem estrangeiros para o Brasil, os que vêm para ficar buscam por tranqüilidade, qualidade de vida e oportunidades de emprego. Essas eram as expectativas dos primeiros japoneses a aportarem por aqui, como é o caso de Kitiziro, patriarca da família Kamimura (上村), que chegou ao Brasil em 1912.
Kitiziro Kamimura trabalhou como estivador no porto de Santos, em São Paulo, impulsionado pelas propagandas paradisíacas que faziam do Brasil na época veio com a irmã em busca de novas oportunidades. Somado a isso, o Japão sofria um período de ajuste político-econômico, tentando se encaixar no mundo capitalista.
O período entre-guerras também atraiu famílias inteiras que vinham em busca de paz e estabilidade, como o caso da família Sumitani (炭谷), que saiu de Osaka no Japão em 1934 para tentar vida nova em Orlândia, São Paulo. Shigero Sumitani, patriarca da família, era alfaiate e não estava conseguindo manter os negócios em Osaka, optando por se mudar com a mulher, Massayo Sumitani, e os 6 filhos. Um dos filhos, Akira Sumitani, chegou aos 9 anos de idade, e contava ainda se lembrar do caminho que fazia para a escola no Japão. Akira dizia lembrar-se também das propagandas que mostravam ovos (comida rara no Japão da época) e diversas frutas que podiam ser pegos nas beiras das estradas, era só ir lá e pegar para comer.
Há ainda casos particulares, como o de Heiji Nakazawa, que foi obrigado pelos pais a sair do Japão por se envolver muito em brigas. Heiji tinha a opção de ir para o Brasil ou para a Coréia e por rebeldia optou pelo país mais distante. Veio com a mulher e a filha de 7 anos, Toshi Nakazawa, que veio a se casar com Shigero Kamimura, filho de Kitiziro Kamimura. Quem nos conta isso é Alessandra Sumitani Kamimura, 20 anos, descendente direta das três famílias.
                                                               

               Família Sumitani e Alessandra Kamimura entre amigos descendentes e não-descendentes de orientais.


Os casamentos entre os primeiros japoneses a morar no Brasil aconteciam quase que totalmente entre orientais e descendentes diretos. Isso mostra um lado negro da história: o preconceito.
Os japoneses levam como marcas de sua cultura, orgulho e honra como sendo as doutrinas mais importantes que uma pessoa pode ter. Com isso em mente não é difícil entender o preconceito que parte dos japoneses para os brasileiros.  Japoneses que deixavam seu país eram considerados desertores, traidores da pátria, assumir a cultura brasileira e casar-se com brasileiros só pioravam a situação. Foi o que aconteceu com Tadashi Matsukawa, que saiu sozinho do Japão aos 19 anos para conhecer as tão faladas oportunidades que o Brasil oferecia, após a Segunda Grande Guerra. Essa foi uma época em que o Brasil recebeu mais estrangeiros que buscavam fugir dos martírios deixados pela guerra. O Japão, aliado da Alemanha na guerra, além de intensificar a sua desestruturação político-econômica remanescente ainda da Primeira Grande Guerra, sofria com o medo de mais ataques nucleares, como os que ocorreram em Hiroshima e Nagazaki.  No Brasil americanos mantinham fazendas e participavam da política na era Vargas, uma constante ameaça para os japoneses, que poderiam ser presos, deportados e até mortos. Tadashi Matsukawa buscou refúgio em uma plantação de uva no interior do Paraná, onde conheceu sua esposa Eloisa Fujie Matsukawa, de descendência puramente oriental.  Ainda assim, até hoje Tadashi sofre preconceito da própria família por ter saído do Japão, ao que ele responde: “Pelo menos eu tenho uma casa no Brasil. E se o Japão se afundar em guerra e terremoto, pra onde vocês vão?
Clarita Maki Matsukawa, 29 anos, filha brasileira de Tadashi e Eloisa, mora em Nagoya – Japão desde os 16 anos de idade. Ela conta que mesmo sendo descendente de orientais e tendo convivido com a avó que só falava japonês, teve como principal dificuldade se adaptar a língua, além de alguns costumes que são condenados no Japão. “Aqui a gente num tem essa liberdade como a gente tem no Brasil... eles são muito rigorosos com horários e no Japão não tem 'jeitinho' né. Eles não te dão troco em bala, mas por conta de um ichien (centavo do Iene, moeda do Japão) você não leva a compra que fez.
Ela conta ainda como os japoneses mais velhos encaram os estrangeiros que vão para o Japão. “Tem japoneses que odeiam estrangeiros. Quando vim para o Japão teve uma notícia grande de uma moça brasileira que foi entrar numa joalheria e o dono expulsou ela de lá violentamente. Ele tinha apontado a placa em kanjis na porta da loja que tinha escrito ‘proibida a entrada de estrangeiros’, mas ela não sabia ler.
Por motivos assim os imigrantes e descendentes mantinham orgulhosamente o máximo da cultura japonesa que podiam, alguns se recusavam a aprender a língua portuguesa, cozinhavam a própria comida típica mesmo com dificuldade em achar os ingredientes e construíam seus templos xintoístas onde mantinham sua religião. Vale lembrar que hoje a cultura brasileira está muito mais arraigada entre os japoneses e a aceitação é maior, mas ainda assim nota-se a clara preferência dos orientais abrasileirados em manter seus costumes. Prova viva disso é o Bairro da Liberdade, um reduto japonês no coração da maior cidade do Brasil, onde se pode achar praticamente tudo o que há no Japão e países asiáticos, de comida a livros, roupas e untesílios, e o melhor, tudo escrito em kanji.


                                                                Clarita Maki Matsukawa – Brasileira em Nagoya

                                                                  
Se por um lado os brasileiros sofrem preconceito por parte dos japoneses, por outro são considerados como o povo mais receptivo do mundo. O preconceito que parte daqui ainda existe, mas tem diminuído com o passar do tempo.
Não sei se pode considerar como preconceito, mas vira e mexe as pessoas na rua e até mesmo na escola falam coisas como xing ling, oh japinha, sayonara arigatou, essas coisas, o que me dá muita raiva, se bem que de uns tempos pra cá isso tem diminuído, talvez porque esse negócio de preconceito esteja sumindo.” declara Rodrigo Ken Kawassaki, 16 anos.
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                                                 Rodrigo Ken Kawassaki entre amigos

Um dos motivos que também explica a diminuição do preconceito de brasileiros em relação aos orientais é o atual encantamento nacional com a cultura principalmente japonesa. Os games asiáticos são uma febre, eventos de animes estão cada vez mais freqüentes, aumentou a demanda por mangás (quadrinhos japoneses) e nota-se um desejo crescente nos jovens em querer conhecer e vivenciar uma cultura tão diferente.



Por sua receptividade o Brasil atrai pessoas do mundo todo. Alguns querem morar, outros apenas conhecer, mas o destino de todos passa por aqui. Luís Carlos, 27 anos, morou na Alemanha e tenta explicar um pouco do interesse que o Brasil desperta. Segundo ele, a mistura do clima tropical, as belas praias e mulheres e as festas constantes concedem ao nosso país esse ar de paraíso tropical onde tudo é permitido.

O clima aqui é quente e é o sonho de consumo de muitos dos meus amigos europeus. Eles sempre se referem ao clima como este sendo o ideal e perfeito, aquele velho sonho de poder sair de camiseta, shortinho e sandália o ano todo. Isso tudo em conjunto com belas praias paradisíacas, areia branca e coqueiros desperta o interesse de muitos turistas. Sem falar nas mulheres bonitas que circulam pelas praias e não podemos nos esquecer do carnaval, sonho de qualquer “gringo”. Muito samba, caipirinha e sexo!

Uma experiência bem interessante é a do estudante de intercâmbio Lukas Hinkelmann. Alemão, ele morou durante um ano no país. Fez intercâmbio pela AFS (American Field Service) e seu destino foi Ubá, interior de Minas Gerais, mas ele conheceu vários lugares do país, inclusive foi recebido por uma familia na Bahia, em Vitória da Conquista.
Com apenas 17 anos ele embarcou nessa aventura e acredita ter sido a melhor experiência da sua vida. “A melhor experiência que levei do Brasil foi a de conhecer bastante gente e saber
que é fácil de fazer bons amigos. Eu fiquei muito responsável e isso pela primeira vez sem pais. Eu passei por muitas experiências boas, algumas foram ruins, mas eu aprendi com isso. Não foi sempre um tempo legal e fácil, mas finalmente o Brasil ficou no meu coração e com ele muitas pessoas que eu conheci, mesmo que por pouco tempo.
O estudante fala muito das mulheres brasileiras, das festas e também ressalta as questões políticas e ambientais e a diferença social, questão que o espantou e preocupou muito. Tem muita gente que é pobre e que mesmo assim eles estão felizes com a vida deles, mesmo assim eles tentam fazer tudo certo e avançar. Uma vida sem dinheiro no Brasil é muito difícil, especialmente porque as diferenças entre pobre e rico são muito altas e ver os ricos com uma vida sem preocupações deve ser muito complicado.
Quando perguntado sobre a maior diferença que ele notou entre os brasileiros e alemães Lukas diz que os brasileiros são mais “quentes” e felizes, e atribui essas característica ao sol do lugar.



                                                                    Lukas Hinkelmann e intercambistas da AFS.

 

Vitória da Conquista não tem praias e é considerada a Suíça baiana por seu clima frio, ainda assim parece atrair os estrangeiros. Ao andar pelas ruas do centro da cidade percebe-se facilmente vários estabelecimentos de orientais, em sua maioria chineses. As pastelarias, lanchonetes e lojas comerciais de propriedade chinesa tiveram um aumento significativo na cidade no ano de 2010.  Ao tentar contatá-los eles foram frios e ríspidos, resultado já esperado de acordo a cultura rigorosa de uma China que se mantém comunista nos dias de hoje. Porém, o que explica essa migração massiva repentina?
Um dos prováveis motivos é por Vitória da Conquista ser uma cidade de comércio intenso, mesmo estando no interior da Bahia. Um lugar onde não se tem os problemas de uma cidade grande, mas com um mercado tão promissor quanto. Conquista conta com a vinda constante de estudantes de toda a região Sudoeste por causa das universidades públicas estadual e federal, UESB e UFBA, que ajudam de forma significativa a movimentar a economia conquistense. As universidades são também motivo da vinda de orientais para a cidade, como é o caso de Shunji Ikuta Filho, estudante de Cinema na UESB. Vindo de Una, uma cidade próxima a Ilhéus – Bahia, descende de japoneses vindos de Kyoto e de alemães.  Segundo ele, seu avô decidiu tentar novas oportunidades no Brasil por pensar que o Japão não conseguiria se reerguer. Quanto aos costumes, Shunji diz conseguir conciliar as diferentes culturas das quais descende e viver num estilo de vida próprio. “Eu diria que eu gosto de conviver com meus próprios costumes, nem brasileiros nem orientais. Gosto muito de comida oriental, mas gosto muito de comida brasileira, baiana e etc.

Shuji Ikuta Filho e sua avó japonesa


Também morador de Vitória da Conquista, Lucas Kazunari é neto de japonês e diz preferir a cultura brasileira. “A alimentação não é muito legal, peixe cru e muita verdura não é comigo, prefiro mesmo o arroz e feijão.
Lucas conta que sua família se instalou em uma colônia japonesa na Bahia ao sair do Japão antes de vir para Vitória da Conquista e que a adaptação de seu avô até hoje é difícil, principalmente em relação ao idioma. Sobre sua relação com seu avô ele diz “Ser neto de japonês é normal como em qualquer outra relação de avô e neto, a cultura deles que é diferente, o modo de tratar as pessoas é muito frio, não são muito ligados não.

Dos orientais pode-se afirmar que pelo observado em sua própria cultura, nota-se que o que eles querem mesmo é trabalhar. Seja em São Paulo, Campinas ou Vitória da Conquista, eles sempre buscam se esforçar ao máximo para aproveitar todas as oportunidades que o país tem a oferecer, desde as oportunidades promissoras de trabalho ás frutas facilmente colhidas á beira da estrada. Eles se adaptam o melhor possível aos modos do país, mas tem como característica orgulhosamente deixar sempre intacto os valores carregados por tradição.


sábado, 16 de outubro de 2010

ENTREVISTA

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FRANCOFONIA INTINERANTE - UMA VIAGEM PELA MÚSICA FRANCESA



Por Gabriela Ribeiro

O Francofonia Itinenerante começou oficialmente as suas atividades musicais em 2009 com o objetivo de prestar uma homenagem ao ano da França no Brasil. Seus integrantes são músicos baianos - em sua maioria de Vitória da Conquista - que seguem também carreira em outros projetos musicais (em banda ou como solistas) além do FI; eles representam aqui segmentos musicais os mais diversos. O repertório do grupo é formado por uma combinação de clássicos e contemponâneos cantados em francês que celebra nomes que vão de Piaf (La vie en rose), Aznavour (Tous les visages de l'amour) e Brel (Ne me quitte pas) a artistas da atual música francesa/francófona, dentre eles Coralie Clément, Francis Cabrel, Léa Castel, Christophe Maé. O clássico, a bossa e o pop são os estilos predominantes da música tocada pelo Francofonia.

Hoje tive a oportunidade de conversar com o músico e professor de francês, fundador do grupo Robson Ribeiro.
Gabriela: De onde surgiu a idéia de montar um grupo vocal de música francesa?
Robson Ribeiro: A idéia na realidade começou por conta do ano da França no Brasil em 2009, no final de 2008 agente recrutou alguns músicos aqui da cidade para realizar essa homenagem, e em 2010 nós resolvemos dar continuidade este trabalho.
Gabriela: Que tipo de música francesa vocês executam?
Robson Ribeiro: Nós fazemos músicas clássicas, contemporâneas e de diversos estilos, Piaf, Aznavour, músicas pop,soul,bolsa nova.
Gabriela: Como vocês fazem para divulgar esse novo tipo de proposta musical?
Robson Ribeiro: Nós temos divulgado no nosso blog, www.francofonia.blogspot.com, divulgamos também no twitter, que é a febre do momento, onde não poderíamos deixar de divulgar e agente tem um espaço no myspace.com/francofoniaintinerante no qual postamos alguns áudios gravados em estúdio.
Gabriela: Qual foi sua motivação para dar seguimento ao projeto?
Robson Ribeiro: O amor a língua francesa e tudo que diz respeito à cultura de uma maneira geral, e a boa interação entre os componentes.
Gabriela: Para quem quiser contratar, como faz para entrar em contato?
Robson Ribeiro: Pode entrar em contato pelo número, (77) 34214538 e (77) 88287653.
Gabriela: Obrigado por nós prestigiar com suas informações e até a próxima.
Robson Ribeiro: Agradeço eu, por  poder divulgar o trabalho da minha equipe.

NOTÍCIA

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MOSTRA CINEMA CONQUISTA - ANO 6

Por Gabriela Ribeiro
Foi realizado em Vitória da conquista, dos dias 05 a 09 de outubro a mostra cinema Conquista ano 6. O evento contou com a participação de personalidades da área cinematográfica, universitários de várias instituições e o público em geral. Teve como atividades, conferências, oficinas, lançamentos de livros, exposições e sessões audiovisuais. As exibições dos filmes aconteceram no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, Vila Serrana III, bairro Jurema, Alto Maron, Urbis V e Kadija.
.  As Conferências ministradas por Éder Santos, Celso Sabadin e Auterives Maciel no Teatro Glauber Rocha (UESB) levaram a interação e discussão do público acerca dos temas expostos, contribuindo para a área acadêmica como um meio de disseminação de informação.
 .A mostra teve como objetivo a democratização do acesso ao cinema, visando impulsionar a recepção do público a produtos audiovisuais nacionais e baianos, tem como patrocinadores o governo do Estado da Bahia e o ministério da cultura.


NOTA

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HIPER G BARBOSA CHEGA À VITÓRIA DA CONQUISTA

Por Gabriela Ribeiro
O hiper mercado G Barbosa que chega à Vitória da Conquista, será inaugurado no dia 27 de outubro de 2010 após 110 dias de obras. O empreendimento trará desenvolvimento econômico e social para a cidade com a implantação de novos empregos, e renda. Segundo o mestre de obra, a construção foi retardada devido a uma ação judicial do IBAMA contra a retirada de uma árvore presente no local.

Exemplo de Reportagem

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Saúde pública leiloada
Funcionários públicos, economistas, juristas e parlamentares avaliam os problemas da privatização da saúde no Estado de São Paulo via transferência da administração para as Organizações Sociais. A mercantilização gera prejuízos aos usuários sem comprovar economia aos cofres públicos.

Por Débora Prado
Unidades com pintura fresca, recepção, cafezinho e promessa de pouca fila. A transferência de grande parte da gestão de hospitais, ambulatórios e laboratórios no Estado de São Paulo para a iniciativa privada foi anunciada pelo governo como uma solução inovadora para o déficit da saúde pública. Com mais flexibilidade e eficiência, esses ‘empreendedores filantrópicos’ são experts na otimização e gerenciamento de recursos, melhorando o atendimento à população com menor custo, certo? Errado. A mercantilização da área tem gerado prejuízos para os funcionários e pacientes, já foi alvo de pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Assembleia Legislativa paulista e despertou a ira do CNS (Conselho Nacional de Saúde), sem comprovar que haja de fato economia para os cofres públicos.

As denúncias vêm de diversos lados: trabalhadores da saúde relatam instabilidade e assédio moral; no atendimento, o sistema de metas numéricas impostas de cima para baixo prejudica a atenção às necessidades locais da população; juristas contestam a constitucionalidade da medida, especialistas duvidam da capacidade do Estado fiscalizar o custo dos serviços nas unidades, após a transferência da gestão para o setor privado. Com um processo pouco transparente de terceirização, ainda há suspeitas de favorecimento financeiro e político sendo apuradas pelo CNS.

A Constituição Federal, com a implementação do SUS (Sistema Único de Saúde), prevê que a saúde deve ser totalmente pública e é vetada a transferência de propriedade do Estado para o setor privado. Com isso, a saída encontrada para incluir a área na onda de privatizações promovidas a partir da década de 1990 no Brasil foi pelos serviços. Inúmeros hospitais públicos terceirizam desde os serviços menos complexos, como segurança e limpeza, até serviços como a radiologia e o próprio atendimento médico. O principal instrumento para promover a privatização da saúde no País, entretanto, foi a entrega da gestão de hospitais para as Organizações Sociais de Saúde (OSS) – com destaque para o Estado de São Paulo, que se tornou o grande flanco desse modelo.

“As OSS vieram com uma promessa de renovar, de melhorar um quadro em que tudo estava muito antigo – desde a estrutura até os profissionais, que não tinham incentivos pra atualização. Mas, é difícil dizer que melhorou, esse modelo mercantilizou mais a questão da saúde e estimulou a competitividade. Você passa a ter uma noção de que a saúde é número, é meta, porque a meta representa produção e a produção dá visibilidade. Acho que sumiu a qualidade, aquela ideia da saúde pública com um sentimento mais integral e transdisciplinar”, avalia uma enfermeira que já passou por diversas OSS na cidade de
São Paulo e prefere não se identificar.

A Lei Complementar número 846/1998 regulamenta a remuneração que cada OSS receberá e prevê que o montante deve ser proporcional ao percentual das metas cumpridas. É justamente aí que reside o primeiro problema, conforme relata a enfermeira. Ela avalia que os investimentos em insfraestrutura poderiam ter sido feitos sem a transferência da gestão para a iniciativa privada, pois este sistema de metas penaliza os trabalhadores e os usuários. 

“Você tem que atingir a meta, além de fazer o trabalho administrativo e ainda fazer os  projetos que a OSS quer pra ter mais visibilidade, como de reciclagem. Tudo isso em um tempo recorde e muito centrado em patologia. Por exemplo, a população num local pode ter o maior risco para sua saúde por uso de drogas e isso não vai importar, as metas são focadas em hipertensão, diabetes, gestantes, crianças e idosos. Os números estão muito longe da realidade”, conta.

As metas são instituídas no contrato com o Estado e podem variar de acordo com o programa em que a unidade se insere. A remuneração
varia de acordo com cada unidade e convênio e, legalmente, as administradoras não podem ter fins lucrativos, apesar de decidirem a destinação de gordas fatias do orçamento público. O profissional, normalmente, é avaliado por um número de atendimentos realizados ou visitas domiciliares. No caso da enfermeira, cuja equipe se enquadra no Programa Saúde da Família, é pedido 192 consultas e 32 visitas mensais, enquanto dos médicos que trabalham com ela são requeridas 400 consultas/mês e 42 visitas domiciliares.

“Vira realmente um mercado, assim como o McDonald’s, tem o funcionário do mês, aquele que mostrou mais números, mesmo que ele não tenha trabalhado de acordo com as necessidades da população. E se você questiona, pode ser demitido, tenho vários amigos que perderam o emprego. O assedio moral é muito grande”. Ela relata casos de racismo e pressões para que profissionais não tornassem públicos os problemas dentro da OSS para não haver um marketing negativo para a gestora.

Já para os médicos, as OSS se tornam um localde passagem. “Falta médico no mercado para trabalhar com pobre, a rotatividade é muito grande. Eles ficam lá até conseguir algo melhor. Normalmente, o salário é alto, e, ainda assim, em 3 anos tive 6 médicos diferentes na minha equipe”, conta. 

Por outro lado, pode faltar recursos básicos, como curativos e materiais para fazer sutura. Um funcionário de uma Organização Parceira conta que faltam materiais mínimos na sua unidade, como um aparelho de medir pressão. Isto porque, se este item não está previsto no convênio firmado, ele não é comprado pelo administrador privado, pois não haverá o reembolso do Estado.

Este funcionário avalia que a aparência mais nova das unidades geridas pelas organizações privadas agrada uma parte da população, mas assegura que o atendimento piorou bastante. “As metas são indicadores de produção, o problema é que elas aparecem de cima pra baixo, não são discutidas com a região, não levam em consideração a conjuntura e as necessidades locais. E o profissional é tão ameaçado e pressionado, que ele entra numa dinâmica de não dar conta e aí troca de unidade. Então tem uma rotatividade muito grande de profissionais, principalmente médicos, e isso prejudica o vínculo de quem está lá com a população local”, lamenta.

Para ele, isto faz muita diferença. “Tem questão, por exemplo, que é de saúde mental. Uma pessoa pode ir todo dia à unidade relatar um problema diferente e ele fica passando por procedimentos padrões, faz várias consultas, por não ter um profissional que se envolva com o local e perceba que o problema é de outra ordem”, exemplifica.
Não é novidadeAs denúncias relatadas hoje já haviam sido alvo de investigação em 2007, numa sub-relatoria da CPI da Saúde realizada pela Assembleia Legislativa de São Paulo. O relatório final da Comissão, de autoria do deputado estadual Hamilton Pereira (PT), afirma:

“A gestão por cumprimento de metas, por processos e por produtividade utilizados nas Organizações Sociais gera uma situação de instabilidade para os trabalhadores por elas contratados ocasionando uma superexploração. (...) Outra questão grave foi o problema de ‘quarteirização’, a terceirização ou contratação de empresas por parte das OS’s, encontradas em todos os hospitais (...) Diante do quadro apurado, constata-se que o chamado ‘melhor desempenho’ dos Hospitais geridos por Organizações Sociais de Saúde pouco significam na prática. A conclusão a que se chega, na presente questão, é que o frágil controle do Estado sobre essas entidades e sobre a execução da assitência à saúde, aliada à grave precarização do trabalho nas OS’s, justifica a necessidade de um processo de reversão da gestão (...)”.

Apesar disso, o total de hospitais gerenciados pelas organizações subiu de 13, em 2007, para 22, em julho deste ano, de acordo com a apuração do CNS. O relatório do deputado estadual Raul Marcelo (PSOL), Sub-Relator de Organizações Sociais da CPI, apontou também para a necessidade de uma CPI específica para investigar as relações entre as OSs e o governo do PSDB, em São Paulo, mas como o partido tem maioria na Alesp, a denúncia não foi adiante.

“A bancada do PSDB dificultou ao máximo a criação da sub-relatoria para investigar as OSs, no entanto, conseguimos aprovar num cochilo da base do Governo, quando da votação do nosso requerimento. Mas, a situação mudou completamente na votação do nosso relatório e das suas respectivas conclusões e propostas, porque além das denúncias de falta de transparência, participação e controle social sobre estes hospitais, também propusemos o retorno dos hospitais entregues às OSs para a administração direta. Isso é possível do ponto de vista administrativo e comprovamos em nosso relatório, para alterar o projeto de privatização hoje em curso no nosso Estado. Mas todas nossas propostas sofreram limitação total”.

Em 2007, o deputado visitou 7 dos 13 hospitais geridos por OSS. O quadro apurado não mudou: uma OSS, normalmente, gerencia várias unidades, todas terceirizam algum tipo de serviço, contratando empresas sem licitação, e o sistema de metas para medir a transferência de recursos é, no mínimo, questionável - situação que se agrava pela ausência de um mecanismo de fiscalização que contemplasse a participação dos usuários e funcionários. Seu parecer concluiu: 

“A terceirização, dentro das Organizações Sociais, ocasionam graves prejuízos à qualidade do ambiente de trabalho dos funcionários, caracterizados por desvio de função, sobrecarga de serviços e usual assédio moral e alta rotatividade quanto às empresas terceirizadas. As terceirizações também não estão submetidas a algumas regras da administração pública como a lei de licitações, fundamental à transparência dos serviços prestados pelo Estado ou para o Estado. Essa falta de transparência pode inclusive proporcionar uso indevido dos recursos públicos, que foi o teor de uma série de denúncias recebidas sobre processos de terceirização nos hospitais da  dministração superfaturamento de contratos, prestação de serviço aquém do contratado, favorecimento individual, dentre outros.”

REPORTAGEM

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 Implica falar em ação, ou seja, o jornalista desloca-se ao local do acontecimento com a finalidade de recolher as informações necessárias que lhe permitam elaborar um texto ou narração do mesmo acontecimento. É mais pormenorizado e complexo que a noticia. O repórter relata os acontecimentos de forma objetiva, não os interpreta.
Quanto à estrutura a reportagem é constituída por título, abertura e corpo.
O título pode ser informativo ou sugestivo, também é aceitável a colocação de antetítulo e entretitulos para quebrar a monotonia.
A abertura tem a função despertar o interesse do leitor, apontado os pontos mais importantes do texto através de um clima atrativo e de expectativa.
O corpo vive sobretudo das questões Como? E Porque? O jornalista tem que explicar e descrever, informando e não esquecendo que as conclusões cabem sempre ao leitor e não ao repórter.

Exemplo de Entrevista

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Tiras em Apuros: Omelete Entrevista Bruce Willis e Tracy Morgan

Atores falam sobre a comédia de ação dirigida por Kevin Smith



No começo do ano, o Omelete enfrentou o inverno nova-iorquino para conversar com Bruce WillisTracy Morgan, os protagonistas do novo filme de Kevin SmithTiras em Apuros (Cop Out). A comédia de ação, porém, decepcionou nas bilheterias dos Estados Unidos e só chega ao Brasil agora, direto em DVD e Blu-ray.
Sabendo da veia cômica dos dois atores, tentamos quebrar o gelo de um jeito diferente - pedindo para que os atores perguntassem um para o outro uma pergunta qualquer - e quase quebramos a cara. O nervosismo de estar frente a frente com John McClane só passou quando, ao fim, Willis finalmente abriu um sorriso e disse que tinha sido divertido. Ufa!
Eu sei que essas junkets são um pouco entediantes, então eu tentarei fazer algo diferente. Se não for original, finjam é. Perguntem um ao outro algo que não tiveram o tempo ou a chance de perguntar antes. Perguntem algo que não tiveram tempo.
Tracy Morgan: Você quer que a gente pergunte algo um ao outro?
Sim.
Bruce Willis: Deixa eu ver se eu consigo… Tracy, lembra quando eu te vi comendo aquelas batatas? Qual era o gosto?
TM: Normal.
BW:Normal? Eu imaginei, só não queria presumir.
TM: Bruce. Você acha que quatro dos octuplos são meus? Ou só três?
BW:Tudo que lembro é o que você me contou.
TM: Três?
BW:Três.
TM: As outras quatro pertencem ao Carlos, do apartamento 4B.
BW:É isso ai.
Muito obrigado. Eu acredito que teve bastante improvisso. Quanto daquilo estava no roteiro e quanto vocês puderam improvisar no set e o quanto vocês melhoraram durante os ensaios?
BW:Eu acho que a maior parte das cenas passaram por alguma improvisação. Nós pegávamos e colocávamos algumas piadas no meio. Mas sempre checávamos para continuar com o que estava no roteiro. E tínhamos os roteiristas lá, Rob e Mark Cohen…
TM: Eles sempre estavam lá, colocando coisas para eu e Bruce falar. Nós fazíamos o que estava escrito, mas eles sempre falavam algo. E eu e Bruce estávamos no nosso mundo, então a gente ia e fazia, sabe?
Sempre falam da química entre os atores, e eu podia ver, sentir, a química. Como isso acontecia no set?
BW:Foi milagroso. Estou falando sério, foi um milagre. A gente nunca tinha trabalhado junto.
TM: E o Bruce é um cara bem protetor, ele nunca deixava ninguém intervir na nossa química. Ele ficava tipo "Ninguém vai intervir". E isso era bom. Foi bom para mim.
BW:Desde o primeiro dia nós tivemos uma experiência ótima. E só foi ficando melhor e melhor. E pensando agora, tem um nível bom de improviso. Mas talvez esse seja outro modo de dizer que você soa como qualquer outro ser humano, ou que você parece com um policial normal, e não como alguém representando um policial.
Muito obrigado pelo seu tempo.
BW:Ah, vamos lá, você tem mais uma!
Está bem, apenas para você então.
BW:Certo.
Você esta filmando RED.
BW:Sim.
E teve um boato de que os policiais foram no set recentemente por que eles acharam que tinha muito barulho e os vizinhos…
BW:Ocorrências de tiros.
Como foi isso e como têm sido as filmagens?
BW:Eu não estava lá, eu estava de folga naquela semana, mas os figurantes estavam atirando com as armas em, sei lá, uma área remota, e as pessoas acharam que alguma coisa estava acontecendo.
Certo. Muito obrigado.
BW:Obrigado, cara. Foi bem divertido.
TM: Obrigado, muito bem.

Fonte: http://www.omelete.com.br/